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20.12.09

Aconteceu: Copenhague: acordo furado. Para não fracassar, Conferência do Clima apenas "toma nota" de acordo proposto Obama e Lula


 
Em uma decisão sem precedentes na história das negociações climáticas, a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas optou na manhã deste sábado em apenas “tomar nota” do “Acordo de Copenhague”, declaração final do encontro que havia sido elaborada por 30 países.O único documento de relevância negociado na capital dinamarquesa foi rejeitado por pelo menos 5 delegações, o que levou a presidência da COP a listar quais países apoiam o acordo.

Em termos práticos, a decisão da plenária da conferência acabou por diminuir ainda mais o peso do acordo que foi costurado principalmente pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com apoio de seus pares no Brasil, China e Índia. Antes mesmo do final oficial da COP15, a maioria dos participantes já considerava o resultado um tremendo fracasso, pois o único acordo proposto não possui qualquer indicação de metas de redução de gases de efeito estufa.

A única meta climática presente no texto é a que limita o aumento da temperatura a 2°C. Outros alvos de longo prazo, como redução de 50% de emissões globais em 2050, que tinham sido colocados em versões preliminares do acordo, desaparecam da versão final. Até mesmo a União Européia, que apoiou o documento não parecia totalmente satisfeita. “Eu tenho que dizer que estou desapontado, o nível de ambição é muito inferior ao que gostaríamos”, disse o comissário do bloco, José Manoel Barroso


Acordo sem apoio

Apesar de ter sido submetida para a aprovação de outros 30 países antes de ir à plenária da COP 15, a proposta do “Acordo de Copenhague” gerou  revolta em diversas delegações, que acusaram a presidência da conferência de agir de forma pouco democrática ao apoiar a apresentação de um texto a poucas horas do fim do encontro.

A revolta de muitos delegados foi ampliada pelas coletivas de imprensa dadas pelos países que apoiavam o “Acordo de Copenhague”. Tão logo deixou o Bella Center, o centro de convenção onde ocorria a COP15, o presidente americano, Barack Obama, encontrou-se com imprensa para dizer que um acordo havia sido alcançado. “É melhor um acordo fraco, do que não ter um acordo”, disse. O que não mencionou foi a fato que até mesmo a proposta pouco ambiciosa precisava ser votada na plenário da COP15. O mesmo gesto – anúncio antecipado do acordo – foi repetido pelo primeiro-ministro do Reino Unido Gordon Brown e o comissário da União Européia, José Manoel Barroso.


Saindo pela porta dos fundos

Do lado do Brasil, as coisas ficaram um pouco estranhas. Tão logo as conversas entre Lula, Obama e os líderes da China e Índia terminaram, as três principais figuras da delegação brasileira – a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o negociador-chefe, Luiz Figueiredo Machado, e o próprio Lula, deixaram o Bella Center sem serem notados e sem falar com a imprensa. Ao mesmo tempo, as duas autoridades que assumiam as negociações naquele momento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o embaixador extraordinário para Mudanças Climáticas, Sérgio Serra, falavam abertamente em “decepção” e “medidas insuficientes.”

As organizações não governamentais interpretaram o gesto de Lula como uma mensagem de insatisfação com os resultados de Copenhague, mesmo com o apoio prestado à declaração final.
 fonte "o eco"

19.12.09

Para Minc, resultado da Cúpula de Copenhague é insuficiente



O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, considerou o resultado das negociações climáticas na Conferência do Clima (COP15), em Copenhague, insuficiente para "salvar o planeta". "O valor de US$ 10 bilhões por ano, que será colocado no fundo até 2012, é menor que o valor que será gasto pelo Brasil para atingir sua meta voluntária de redução das emissões", afirmou o ministro, em comunicado do Ministério do Meio Ambiente, que continua em Copenhague.

O documento preliminar prevê que os países desenvolvidos cortem 20% das emissões de carbono até 2020, valor que deve aumentar para 80% até 2050. Como o documento não estabelece metas diferentes daquelas já apresentadas pelos países desenvolvidos antes da Cúpula, o acordo é considerado uma decepção por muitos países. Várias ONGs ligadas ao meio ambiente consideram a COP-15 um "fracasso histórico" devido à falta de metas vinculativas.

Para Minc, o Brasil fez o seu "dever de casa", e continuará a cobrança de uma postura "mais forte" dos países desenvolvidos para combater as mudanças climáticas. "O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) recomenda uma redução das emissões de carbono de 25% a 40% até 2020. Ainda estamos em 2009, então, vamos mobilizar a população e a opinião pública, assim como foi feito para que Estados Unidos e China apresentassem suas metas", declarou.

As discussões sobre o documento apresentado ao final da Cúpula do Clima de Copenhague se estenderam durante toda a madrugada. Como o acordo foi proposto pelos Estados Unidos e pelos países emergentes, muitos países africanos expressaram sua revolta no Plenário, dizendo que o documento vai contra a tradição das Nações Unidas de não impor acordos. Até o início da manhã de sábado os delegados continuavam os debates na Cúpula.
fonte terra

17.12.09

Presidente da Conferência de Copenhague renuncia ao cargo



Connie Hedegaard será substituída pelo primeiro-ministro dinamarquês, Lars Loekke

A ministra para clima e energia da Dinamarca, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo de presidente da Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas em Copenhague e será substituída pelo primeiro-ministro dinamarquês, Lars Loekke, segundo informações do jornal britânico "The Guardian".

— Como muitos chefes de Estado vieram até aqui, é apropriado que o primeiro-ministro da Dinamarca presida a conferência. No entanto, o primeiro-ministro me nomeou como sua representante especial e continuarei buscando resultados com meus colegas — disse a ministra, segundo o jornal.

De acordo com a publicação, há rumores de que Connie estaria infeliz por causa de negociações secretas em torno de um texto preparado por países ricos.

fonte:  canalrural

6.12.09

Quem são os negociadores brasileiros em Copenhague?



Conheça os representantes do governo brasileiro que compõem a delegação oficial e representarão o país em todas as discussões na COP-15, a 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada de 7 a 18 de dezembro, em Copenhague


Além dos ministros de cada pasta, haverá um grupo técnico restrito, formado por embaixadores a assessores especiais. A comitiva será coordenada pela Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que deverá estar acompanhada pelos demais ministros Celso Amorim (MRE), Sérgio Rezende (MCT) e Carlos Minc (MMA).

O espaço de discussão – que abordará temas como adaptação e mitigação (redução de danos) das mudanças climáticas, a viabilização de financiamentos dos países desenvolvidos aos em desenvolvimento e implementação de tecnologias limpas - terá dois tipos de representações. Os negociadores principais serão responsáveis pelas discussões relacionadas aos textos oficiais das decisões tomadas em Copenhague. Já os chamados articuladores, terão como papel negociar pontos específicos, durante as sessões, com o objetivo de compor consensos entre participantes diferenciados, como cientistas, sociedade civil e organizações governamentais, entre outros.

  
Veja, na galeria de fotos, os ministros e a maior parte dos negociadores que compõem a delegação brasileira, que teve recorde de inscritos este ano. No total, são 625 pessoas, incluindo membros do governo federal (75) - mas não o staff do presidente -, além de 28 representantes de estatais, representantes de organizações não-governamentais, das áreas política e técnica de diferentes ministérios e do poder judiciário, além de empresas.

Segundo o Itamaraty, todos os inscritos para compor a delegação são identificadas como delegados e podem circular nas reuniões realizadas durante a Conferência do Clima, podendo acompanhar todas as discussões. Entram, inclusive, em salas vetadas à imprensa. 


QUEM SÃO OS MINISTROS QUE ESTARÃO PRESENTES NA COP-15 

Dilma Rousseff, do Ministério da Casa Civil. Ela é economista e já ocupou o cargo de ministra de Minas e Energia (2003-junho 2005), foi secretária da Fazenda de Porto Alegre, presidente da Fundação de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul (1991-1993) e secretária de Estado de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul (1993-1994/1999-2002).
Sérgio Machado Rezende, do Ministério da Ciência e Tecnologia, é engenheiro eletrônico, mestre e doutor em Física. Atuou como professor universitário, desde a década de 60.
Carlos Minc, do Ministério do Meio Ambiente, é economista, mestre em Planejamento Urbano e Regional e doutor em Economia do Desenvolvimento.

 fonte Sucena Shkrada Resk – Edição: Mônica Nune